
Valor Econômico
Técnicas
de guerrilha para atingir consumidor
Por Roberta Lippi - 05/06/2003

Em
vez de distribuir um folheto no semáforo e concorrer com dezenas
de outros lançamentos imobiliários que são empurrados
aos motoristas diariamente, a Gafisa e a Atlântica Residencial
resolveram inovar para promover o condomínio Villaggio Panamby,
no bairro do Morumbi, em São Paulo: distribuíram mudas
de plantas. Ao todo, serão 25 mil mudas de uma espécie
de planta que pode ser encontrada no bosque de Mata Atlântica
localizado dentro do condomínio. Junto com a muda, apenas uma
sutil menção ao empreendimento.
No
Reino Unido, uma revista inglesa precisava de uma ação
que repercutisse na mídia nacional para promover a sua eleição
anual das 100 mulheres mais sexy da Inglaterra. Contratou a agência
CSC, que projetou a imagem de uma das concorrentes preferidas nua no
Parlamento inglês. A ação atingiu 40 milhões
de pessoas.
O
uso do inusitado em promoções de marketing foi criado
há décadas, mas essas ações originais estão
se tornando cada vez mais populares. É o chamado marketing de
guerrilha entrando na ferrenha disputa pela atenção dos
consumidores.
A
briga por espaço é tanta que pipocaram nos últimos
anos diversas agências, principalmente nos Estados Unidos e Europa,
especializadas em fazer unicamente marketing de guerrilha para pequenas
e médias empresas. No Brasil, surgem agora as ações
da primeira agência especializada nesse modelo no país,
a Espalhe, que entrou em atividade no início do ano, criada por
dois publicitários e um administrador. A agência, parceira
da inglesa CSC no Brasil, é a responsável pela distribuição
das mudas e de várias outras ações que divulgarão
o lançamento do condomínio no Morumbi.
A
estratégia é atacar o consumidor da forma menos esperada
e convencional possível. E, geralmente, com um custo mais baixo
do que a mídia tradicional, já que esse modelo dispensa
ações em televisão, revistas e outdoors. A Espalhe
criou, também, uma empresa para fazer a parte de relações
públicas e contato com a imprensa, a Fan (ventilador, em inglês).
"O
mercado está muito barulhento, gente demais querendo aparecer,
e nós buscávamos uma forma de sobressair as marcas dos
clientes. Então percebemos que, em vez de gritar mais alto, poderíamos
fazer um barulho diferente", conta um dos sócios da Espalhe,
Gustavo Fortes.
Usando
as táticas da guerrilha bélica, que usa criatividade,
foco e energia em vez de dinheiro, o conceito de marketing de guerrilha
não visa concorrer diretamente com as agências de propaganda.
"Não pretendemos fazer comunicação de massa,
que as
agências tradicionais fazem muito bem. O marketing de guerrilha
atinge um número reduzido de pessoas, porém mais posicionado
e com um contato direto com o consumidor", diz Fortes, que conquistou
clientes como a Gafisa, Iqara Telecom e Bosch.
Fortes
e seus dois outros sócios, Marcelo Vial e Cleber Martins, trouxeram
ao Brasil diversos conceitos que fazem parte do marketing de guerrilha,
como o marketing viral (espalhar histórias no boca a boca ou
pela internet, como se fosse um vírus) e o "ambush marketing"
(marketing de emboscada). Uma das armas é gerar, através
das ações diferenciadas, uma repercussão espontânea
na mídia.
Mas,
apesar de vantajosa para empresas com orçamento apertado, a técnica
de guerrilha também é adotada por empresas de grande porte
que buscam fortalecer suas marcas de forma diferente, como Nike, IBM
e a tradicional empresa de cosméticos inglesa The Body Shop,
que transformou as lojas em postos de ação pelos direitos
humanos.
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