
Marketing
invisível
Empresa faz propaganda disfarçada em comunidades e salas de bate-papo
na internet
Por Manoel Fernandes

A Espalhe é
uma empresa fácil de encontrar. Seu CNPJ está arquivado
na Receita Federal, o número do telefone consta na lista e a
página na internet é espalhe.com.br. Difícil é
saber quando a companhia está em ação trabalhando
para os seus clientes. A empresa é especializada em um novo conceito
dentro do mundo da propaganda: marketing de guerrilha. E uma das suas
ações é trabalhar de maneira invisível dentro
do mundo virtual. Agentes da Espalhe frequentam salas de bate-papo e
comunidades virtuais com a intenção de propagar mensagens
e idéias dos seus clientes. No mundo virtual existe um
grande espaço para trabalhar marcas, afirma Gustavo Fortes,
sócio da Espalhe ao lado de Cleber Martins e Marcelo Vial.
O marketing invisível
segue um ritual. O primeiro passo é montar um blog, os diários
on-line que são uma febre na internet, focado no assunto alvo
do cliente. Por exemplo, uma comunidade masculina quando o produto tratar
de informações de interesse desse grupo. Em seguida, os
agentes entram em operação. A Espalhe não diz quantas
e quais os nomes das pessoas executam essa tarefa. Temos gente
jovem e também profissionais experientes, diz Marcelo Vial.
A tecnologia do negócio é a regularidade no envio e troca
de mensagens dentro da rede. Outra estratégia é criar
comunidades próprias administradas pela Espalhe e incentivar
o ingresso de verdadeiros internautas. Desde que iniciou esse tipo de
ação já foram montadas mais de 25 comunidades --
a empresa não divulga os nomes desses blogs ou comunidades. A
marca do cliente só aparece quando há um substantivo número
de integrantes do ambiente virtual. É uma forma diferenciada
para trabalhar nossa marca, diz Luiz Cláudio dos Anjos,
diretor de marketing da Fox Latin America. Já reservamos
30% da nossa verba publicitária para essas ações.
Nesse ponto, o campo
é muito fértil para a Espalhe. Do universo de freqüentadores
do Orkut, a comunidade de maior sucesso na rede, cerca de 65% são
brasileiros e 56% têm entre 18 e 25 anos. Em relação
às salas de bate-papo, elas podem ser contadas aos milhares nos
grandes portais de internet do País. Também há
o mundo dos comunicadores instantâneos como o MSN, da Microsoft,
que sozinho tem uma audiência de 6,2 milhões de brasileiros.
O risco é o consumidor descobrir que a mensagem transmitida
não é real, afirma Alessandro Barbosa Lima, diretor
da E-Life, consultoria de relações entre empresas e consumidores
virtuais. Até agora isso não aconteceu. A Espalhe continua
invisível.
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